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Tradução de Músicas da Disney

Quem já assistiu aos desenhos da Disney sabe que todos eles envolvem músicas. Porém, há muito trabalho por trás disso. As canções originais são dos Estados Unidos, portanto, os outros países têm a função de traduzir as letras. Mas não é tão simples quanto parece, pois a tradução não pode ser ao pé da letra e, muitas vezes, deve ser muito bem adaptada para continuar com a mesma melodia da canção original sem perder o sentido. Além disso, há também a questão da música ser compatível com o movimento da boca do personagem quando o dublador for cantar, isto é, o tradutor deve ter o cuidado de não aumentar muito o texto ao adaptar para o português ou para qualquer outro idioma.
Para exemplificar, separei trechos de músicas de diferentes animações, contendo traduções muito diferentes da versão original e outras com uma tradução mais parecida.
No desenho Hércules, lançado em 1997, há a música I won’t say (I’m in love), traduzida como Não direi (que é paixão).
Inglês:
“If there’s a prize for rotten judgment
I guess I’ve already won that
No man is worth the aggravation
That’s ancient history, been there, done that!”
Tradução em português:
“Se há um prêmio por julgar mal
Já sei que vou ser eleita
Amar não vale o sofrer, não
o verbo amar a razão rejeita!”

Vamos supor que a letra original fosse traduzida literalmente. Ficaria mais ou menos assim:
“Se há um prêmio para mau julgamento
Eu acho que já o ganhei
Nenhum homem vale a irritação
É passado, já passei por isso”

É possível perceber que, além de o texto em português não ficar muito fluente, ele não se encaixaria na melodia original e também não haveria rimas. Por isso a importância de o tradutor saber criar uma versão em que nem a melodia nem o sentido da música se percam (até porque tudo deve estar de acordo com o contexto do desenho). Na tradução feita, o tradutor escolheu termos similares e adaptou a ordem das palavras para que houvesse a rima (disponível em https://www.youtube.com/watch?v=LsiMbbmuOag).

 

Vamos ver outro exemplo, dessa vez com a música da animação Aladdin chamada originalmente de A whole new world e traduzida para o português como Um mundo ideal. No desenho, ela é cantada por Aladdin e pela princesa Jasmin.
Inglês:

“I can show you the world
Shining, shimmering, splendid
Tell me, princess, now when did
You last let your heart decide?”
Tradução em português:
“Olha, eu vou lhe mostrar
Como é belo este mundo
Já que nunca deixaram
o seu coração mandar”

Nesse trecho ocorre o mesmo: não foi possível traduzir ao pé da letra, pois fugiria da melodia, mas mesmo assim a tradução não perdeu o sentido original da música.
Segue outro pedaço da mesma música:
Inglês:

“A whole new world
A dazzling place I never knew
But when I’m way up here
It’s crystal clear
That now I’m in a whole new world with you”
Tradução em português:
“Um mundo ideal
Um mundo que eu nunca vi
E agora eu posso ver
E lhe dizer
Que estou num mundo novo com você”

Podemos notar que aqui foi possível fazer uma tradução um pouco mais literal, principalmente no último verso, mantendo o sentido e a melodia da música (disponível em https://www.youtube.com/watch?v=nNuSuiFb-OY).
Uma curiosidade sobre a Disney: ela escolhe as vozes mais parecidas com a da versão original para os países ao redor do mundo, assim, não se nota muita diferença e quando a pessoa ouve, consegue perceber que é uma música da Disney. Um bom exemplo disso é a música Let it go, conhecida mundialmente, do filme Frozen. No vídeo disponível em https://www.youtube.com/watch?v=zC6rf76RN2c, há a versão de 42 países diferentes e, ao assisti-lo, é possível perceber que as vozes são bem parecidas (algumas até parecem ser a mesma pessoa cantando em idiomas diferentes!).

Fontes:

https://www.vagalume.com.br/

http://pt-br.disneyprincesas.wikia.com/wiki/H%C3%A9rcules_(filme)

Texto escrito por: Aline Bellozo

Como está a situação do Museu da Língua Portuguesa

O incêndio no Museu da Língua Portuguesa no final de 2015 foi um dos assuntos mais comentados na época. A tragédia chocou a população de São Paulo ao destruir parte da Estação da Luz, onde localizava-se o museu. O fogo começou no primeiro andar e espalhou-se rapidamente aos pavimentos superiores; a propagação rápida das chamas foi ocasionada pela quantidade de material eletrônico, pela estrutura de madeira do local e por materiais plásticos que faziam parte do acervo. Apesar de não estar aberto ao público no dia da ocorrência, um bombeiro civil – que atuava nas dependências do local – morreu ao tentar colaborar com a extinção do fogo.

No mês de setembro a tragédia completou nove meses. Em maio, o prédio estava passando por ações emergenciais para preservar a arquitetura da Estação da Luz, além da retirada dos escombros, a construção de uma cobertura provisória e de outras medidas que permitirão o início de uma possível reconstrução. Antônio Carlos Sartini, diretor técnico do museu contou que as obras estavam adiantadas e em fase de limpeza e esclareceu que medidas junto a órgãos de preservação histórica também são necessárias.
Também está em discussão a revitalização do conteúdo do Museu da Língua Portuguesa. A previsão mais otimista da reabertura do Museu da Língua Portuguesa é dentro de dois anos, prevê Sartini. Porém esse prazo pode se estender, afinal trata-se apenas de uma aproximação.

Breve história do Museu da Língua Portuguesa
Aberto para o público em 21 de março de 2006, concebido pela Fundação Roberto Marinho, o museu localiza-se na Praça da Luz; consolidado como um dos museus mais visitados da América do Sul e do Brasil apenas em seus três primeiros anos de funcionamento, já foi palco de diversas exposições importantes, como a de Câmara Cascudo. Já hospedou a exposição de humor “Esta Sala É Uma Piada”, composta por charges, caricaturas e histórias em quadrinhos; uma das áreas principais tratava-se das charges publicadas no ano do Golpe Militar de 1964 em um dos jornais mais importantes do Brasil, no período de maior repressão, o AI-5.
Outra exposição de destaque foi aquela em que o museu convidou o público a escrever poesias. “Não tem idade para ser poeta. Você gostaria de escrever uma poesia? Existem grandes artistas que têm o dom das palavras. Mas qualquer um pode se arriscar em alguns versos”, era a proposta da exposição. Livros eram encontrados pelo local, todos em branco, dando a chance ao público de dar asas à imaginação e brincar de ser poeta por um dia.
A principal característica do museu reside na maneira inovadora de lidar com a língua portuguesa. Recursos interativos e tecnologia de ponta são usados para difundir a importância do nosso idioma e aproximar-se do público, principalmente dos mais jovens. Isa Ferraz, curadora do Museu explicou que: “Mudou paradigmas e virou referência internacional. Foi revolucionário não só pela tecnologia e formato, mas pela maneira de encarar a língua portuguesa”.

Projetos recentes

Planejadas desde 2013/2014, o Museu da Língua Portuguesa está realizando exposições itinerantes desde março, divulgando seu acervo. A mostra é chamada de “Estação da Língua” e já passou por cidades como Araraquara e Pirassununga. “Segundo a Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, a exposição itinerante em 2016 seguirá o conceito central do Museu da Língua Portuguesa, propondo interatividade e tecnologia como veículos para apresentar o idioma ao público, nos seus mais variados sotaques e evoluções. Como o acervo do museu é digital, ele pode ser aplicado e adaptado para outros espaços. A “Estação da Língua” terá cerca de 300 metros quadrados de área expositiva, e terá entre as atrações o “Mapa dos Falares”, que exibe a singularidade do português falado em diferentes regiões do estado de São Paulo”. No dia 15 de setembro a exposição chega a Campinas e poderá ser visitada até o dia 16 de outubro. O objetivo da mostra é promover o acesso da população ao acervo digital do museu, podendo ser visto somente em ações como a planejada em decorrência do incêndio, que fez com que o local fechasse as portas para a restauração.
Informações sobre a exposição podem ser encontradas abaixo:

Serviço
O que: Mostra “Estação da Língua”
Quando: de 15 de setembro a 16 de outubro
Onde: Galleria Shopping – Rodovia Dom Pedro I, 131.5, Jardim Nilópolis – Campinas (SP)
Preço: grátis
Informações: (19) 3766-5300

Referências:
Museu da Língua Portuguesa deve ser reaberto dentro de dois anos. Em: http://biblioo.info/museu-da-lingua-portuguesa/
Fechado após fogo, Museu da Língua Portuguesa terá mostras itinerantes. Em: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2016/02/fechado-apos-fogo-museu-da-lingua-portuguesa-tera-mostras-itinerantes.html
Museu da Língua Portuguesa foi inaugurado em 2006; veja mostras. Em: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2015/12/museu-da-lingua-portuguesa-foi-inaugurado-em-2006-relembre-mostras.html
Incêndio atinge Museu da Língua Portuguesa em São Paulo. Em: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2015/12/incendio-atinge-museu-da-lingua-portuguesa-em-sp-dizem-bombeiros.html
Campinas recebe exposição gratuita do Museu da Língua Portuguesa. Em: http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2016/09/campinas-recebe-exposicao-gratuita-do-museu-da-lingua-portuguesa.html

Texto escrito por Thais Albiero

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Dia 30 de setembro é o dia mundial do tradutor!

E você sabe o motivo da escolha deste dia? Nós da Spell vamos te contar.
Foi no dia 30 de setembro que São Jerônimo, um dos tradutores mais conhecidos mundialmente e hoje considerado o santo padroeiro dos tradutores, faleceu. Ele ficou conhecido por traduzir a Bíblia do grego antigo e do hebraico para o latim, permitindo o contato de muitas pessoas com o livro sagrado, fato o qual temos influência até hoje encontrando a Bíblia em diversas línguas.
O dia mundial do tradutor foi instituído apenas em 1991, pela Federação Internacional dos Tradutores (FIT), cuja data tem o intuito de celebrar e incentivar a profissão e a formação de mais profissionais nesta área que se encontra em constante crescimento.

Muitos acreditam que a função do tradutor não é tão importante devido ao mundo tecnológico que nos encontramos. A ideia de que as máquinas fazem tudo hoje em dia inclui a possibilidade de poder traduzir, e desta forma, substituir o trabalho do tradutor. Mas este é um assunto para um próximo post!
Você sabe o que faz um tradutor?
O tradutor faz a versão escrita de livros, documentos e textos em geral de uma língua para outra. Ele pode também ser intérprete que traduz oralmente palestras, discursos, reuniões e videoconferências. Além de interpretar e traduzir, o tradutor pode também fazer a legendagem de filmes, vídeos, séries e programas de TV internacionais. Outra função bastante presente no mundo da tradução é a tradução juramentada na qual o tradutor trabalha com documentos oficiais, como procurações, certidões e contratos. Porém, essa função é permitida apenas por tradutores aprovados em concurso público.
Quais as principais competências que um tradutor precisa ter?
O tradutor deve dominar ambas as línguas a serem trabalhadas, principalmente a materna. Além disso, ele deve conhecer a gramática, as gírias e as expressões dos países em questão e ter muita responsabilidade e organização. Outra competência importante para esta área é saber trabalhar sob pressão, pois, na maioria das vezes, o tradutor terá que lidar e gerenciar prazos bastante apertados. Um diferencial do tradutor seria conhecer os costumes, as tradições e a cultura dos povos estrangeiros além de ser apaixonado por leitura e ser uma pessoa curiosa! A pesquisa será sua maior aliada no dia a dia de trabalho! Quanto mais bagagem e informação o tradutor tiver, melhor é o resultado final de seu trabalho.
Onde encontrar cursos para se tornar um tradutor?
O curso pode ser encontrado em faculdades de letras. Entre as faculdades conhecidas por oferecerem os cursos de tradução, as mais conhecidas do estado de São Paulo são PUC – São Paulo, UNIMEP de Piracicaba, PUC- Campinas, UNESP de São José do Rio Preto, Universidade Metodista de São Bernardo do Campo, UNINOVE, UNASP – Engenheiro Coelho, USC Bauru e também a ALUMNI.

Separamos um teste vocacional para você saber se teria perfil para ser um tradutor:

http://guiadoestudante.abril.com.br/testes-vocacional/sera-letras-curso-certo-voce-740630.shtml

A tradução não é apenas a transformação de uma língua para a outra, é a pesquisa, a dedicação, o conhecimento de outras culturas e assuntos, entre outros.
O nosso desejo hoje é que a nossa profissão se torne cada dia mais conhecida, admirada e valorizada. Somos uma forma de comunicação e estamos em constante evolução!
Parabéns a todos os tradutores!

Texto escrito por Natália Guerra

Erros gramaticais comuns cometidos no dia a dia

Quem estuda a gramática da língua portuguesa sabe que o idioma é complexo e que exige anos de estudo para (tentar) saber tudo. Porém, muitas pessoas não têm ideia que falam coisas que, na verdade, estão incorretas. Vou citar abaixo alguns exemplos de coisas que vejo com muita frequência, principalmente nas redes sociais.

** Há 3 anos atrás eu fiz uma viagem para o exterior.

O que há de errado? Há 3 anos atrás
Explicação: neste caso, o verbo haver está com o sentido de fazer. Por exemplo, se fôssemos reescrever essa mesma frase com faz no lugar de há, ficaria da seguinte maneira:
Faz 3 anos atrás eu fiz uma viagem para o exterior.
Podemos perceber que não tem sentido usando o verbo fazer, porém a ideia é a mesma. Usar “há” e “atrás” para falar de algo que aconteceu no passado é redundante. A palavra “atrás” se refere a um tempo que já passou, porém não é necessária quando o verbo haver está presente.
Correto: temos duas opções para falar essa frase corretamente:

Há 3 anos eu fiz uma viagem para o exterior.
3 anos atrás eu fiz uma viagem para o exterior.

**Quero agradecer à todos que me mandaram mensagem.

O que há de errado? à todos
Explicação: Usamos a crase (ou seja, o acento grave, como em à) quando ocorre a junção entre a preposição a que acompanha o termo que vem antes e o artigo a que acompanha o termo que vem depois. Mas como saber se o termo exige preposição e artigo? Parece complicado, mas é mais simples que parece. Vamos utilizar o verbo ir como exemplo:
Vou à cidade fazer compras.
O verbo ir exige que a preposição venha depois, porque quem vai, vai a algum lugar. Já a palavra cidade exige o artigo, por exemplo, “A cidade é esburacada”, “O prefeito da (de+a) cidade está viajando”. A partir disso, ocorre a fusão da preposição a que acompanha o verbo ir com o artigo definido a que acompanha o substantivo cidade.
Como saber quando utilizar o acento grave para assinalar a crase? Aqui vão algumas dicas:
 Substitua a palavra seguinte por uma palavra no masculino. Se utilizarmos supermercado ao invés de cidade no exemplo acima, ficaria da seguinte maneira:
Vou ao supermercado fazer compras. -> se a substituição virar “ao”, significa que há crase.
 Lembre-se sempre de que a crase nunca será empregada antes de verbos no infinitivo (por exemplo: salário a combinar.).
 A crase nunca será empregada antes de palavras no plural (a não ser que o contexto peça a crase no plural também). Por exemplo:
“Diga às mulheres que hoje vamos sair mais cedo.” -> A pessoa que falou isso está se referindo a determinadas mulheres, por isso “às” também está no plural.
“Este espaço é reservado a mulheres grávidas.” -> Aqui se refere a qualquer mulher que estiver grávida, por isso “a” está no singular e sem o acento grave.

**Fazem 5 anos que não vejo meu tio.

O que há de errado? fazem
Explicação: O verbo fazer, neste caso, está no sentido de “haver”, por isso não sofre flexão. Quando tratamos de tempo, ele sempre fica no singular.
Correto: Faz 5 anos que não vejo meu tio.

**Eles já tinham pego as chaves.

O que há de errado? tinham pego
Embora a forma gramatical correta seja como na explicação abaixo, o assunto é controverso. Alguns autores e pesquisadores defendem o uso de “pego” após qualquer verbo, sendo ele regular ou irregular.
Explicação: Há duas formas de conjugar o verbo pegar no particípio: pego e pegado. Porém, na situação acima, o uso está incorreto. Mas quando usar pego e quando usar pegado?
Pego: é usado após os verbos ser e estar.
Exemplo: O bandido foi pego pela polícia ontem.
Pegado: é usado após os verbos ter e haver.
Exemplo: Ela havia pegado as cartas.
Outros exemplos de verbos que são conjugados de forma diferente: suspender, ganhar, pagar e gastar.

**Mais e agora, o que vamos fazer?

O que há de errado? mais
Explicação: Apesar de parecer óbvio, muitas pessoas ainda têm dificuldade de diferenciar “mais” e “mas” (não necessariamente de diferenciar o significado das duas palavras, mas de empregá-las corretamente). É bem simples:
Mas = porém, contudo, entretanto, todavia. Quando usado, significa que o que vem em seguida é uma ideia oposta, contrária ao que foi dito antes:
Eu ia sair de casa, mas mudei de ideia porque começou a chover.
Mais = soma. É usado para dar um sentido de adição na frase:
Quanto mais eu durmo, mais quero dormir.
Correto: Mas e agora, o que vamos fazer?

Texto escrito por Aline Bellozo

Fontes:

http://g1.globo.com/educacao/blog/dicas-de-portugues/post/temas-polemicos-5.html

http://portugues.uol.com.br/gramatica/o-uso-crase-.html

http://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/verbos-impessoais-como-fazer-a-concordancia.htm