A Importância da Cultura na Tradução

A tradução desempenha um papel muito importante quando se trata de compreender a cultura. Por exemplo, se um serviço de tradução no Japão trabalha em um documento comercial para um cliente do Brasil, o tom, as expressões e o idioma têm que estar de acordo com a cultura comercial do Brasil. É aqui que entra a importância da cultura dentro da tradução. Mas, primeiro, vamos definir o que é cultura, o que é tradução e o que é linguagem e entender um pouco mais como tudo isso está relacionado.

Cultura:

Como podemos definir cultura? A cultura reflete a maneira pela qual as pessoas se comportam. É um padrão no qual analisamos comportamento, hábitos sociais, crenças, tradições e costumes. Quando estamos tentando saber mais sobre uma determinada cultura, a língua desempenha um papel importante e para compreender melhor a língua a tradução pode ser um caminho de estudo.

Linguagem:

A linguagem é o laço que mantém o significado cultural atado. A linguagem também pode ser classificada como o complexo sistema de comunicação que os seres humanos adaptam em diferentes contextos culturais. Ela contribui de maneira significativa para o sistema de comunicação em qualquer cultura.

Tradução:

É o processo de conversão que ajuda as pessoas que falam idiomas diferentes a entenderem a perspectiva umas das outras e a manterem uma comunicação saudável. Trata-se de conectar culturas e quebrar as diferenças culturais que possam existir. A importância da cultura na tradução é que possibilita uma comunicação efetiva entre ambas as partes.

Ao ler as três definições acima, fica bastante evidente que a cultura e a tradução estão relacionadas. Essa relação ajuda a preencher as lacunas que diferentes idiomas podem criar. Lembrando que temos várias nações e, dentro de uma nação, por exemplo, também há muitos idiomas que são falados. A tradução tem sido um elemento de intercâmbio cultural fundamental.

O respeito à cultura na tradução

Uma boa tradução dá ao leitor a mesma sensação que ele pode ter ao ler um determinado texto em sua língua nativa. A importância da tradução que respeita a cultura é que ela ajuda a comunicar as crenças e ideias de uma maneira adequada, que poderia ser compreendida por pessoas de diferentes origens literárias e culturais.

A negligência desse ponto pode causar diversos problemas e desrespeitar todo um povo, pois, em alguns casos, as diferenças culturais são enormes e o que é comum em uma cultura pode ser ofensivo em outra. Podemos citar como exemplo a grande diferença que temos nas vestimentas entre a cultura brasileira e a cultura muçulmana.  

A tradução e a influência que a cultura exerce

Não se pode ignorar a influência que a cultura tem no idioma e na tradução. O conhecimento de outra cultura facilita a tradução realizada por um tradutor e mantém a exatidão em destaque. O objetivo da tradução é alcançar uma equivalência semântica e isso só pode ser alcançado com um bom conhecimento do idioma-alvo e dos contextos culturais do idioma de origem.

Os tabus que considerados profundos em uma cultura podem ser completamente neutros em outra. A tradução deve ser sensível às associações de valores das palavras e símbolos no idioma para encontrar suas equivalências. A dimensão dos valores é onde ocorre algumas das piores confusões de tradução. 

Por exemplo, quando o Presidente Carter foi à Polônia em 1977, o Departamento Federal contratou um intérprete russo que não estava acostumado a traduzir para o polonês. Por meio desse intérprete, Carter acabou dizendo coisas em polonês, como “deixei os Estados Unidos para nunca mais voltar”, sendo que o que ele disse, na verdade, foi “deixei os Estados Unidos esta manhã”. E um caso ainda mais grave foi: “eu desejo os poloneses carnalmente” traduzido super errado, pois o Presidente só queria saber os desejos dos poloneses para o futuro. Os erros se tornaram o evento da mídia para o constrangimento de Jimmy Carter.

Outro exemplo se deu quando Nikita Khrushchev, líder soviético, disse a embaixadores ocidentais em Moscou a famosa frase: “nós vamos enterrá-los”. Foi uma má tradução, culturalmente insensível, que originalmente queria dizer “nós vamos superá-los”, no sentido de que o Comunismo iria sobreviver ao Capitalismo. Porém, a má tradução foi amplamente interpretada como uma ameaça de ataque que atingiu em cheio os anticomunistas e deixou os americanos com medo de um ataque nuclear. A frase repercutiu nos jornais e revistas do mundo todo e trouxe ainda mais problemas para as relações já conturbadas entre a União Soviética e os países do Ocidente.  

Há muitos outros exemplos que apontam para a necessidade da sensibilidade cultural na tradução.

Por isso, é muito importante conhecer as disparidades culturais para poder ajudar uma pessoa a entender outro idioma. O fato de que a cultura e a tradução compartilham um forte vínculo é inevitável. É, por isso, que a contratação de serviços profissionais de tradução se torna uma questão crucial. 

Texto escrito por: Renata Pinheiro

Traduções de expressões populares e seus desafios

Você já assistiu a um filme legendado e percebeu que uma expressão engraçada não teve tanta graça assim na legenda? Ou já leu algum livro traduzido e notou que uma expressão única da sua língua não teve uma tradução equivalente na outra língua e não conseguiu causar o mesmo efeito? 

As traduções das expressões mais comuns aqui no Brasil para o inglês, por exemplo, chegam a ser um desafio para muitos tradutores. A pergunta é: como traduzir essas expressões para que causem o mesmo impacto no leitor estrangeiro? A partir de agora, vamos mergulhar nesse mundo maravilhoso da tradução e descobrir como algumas das nossas expressões mais famosas são usadas mundo afora.

O português é uma língua muita rica em expressões e palavras. Muitos chegam a comentar que aprender o português é uma tarefa muito difícil devido à complexidade da nossa gramática. Expressões como: “quem é você na fila do pão?”, “aceita que dói menos”, “pular a cerca”, “rapadura é doce, mas não é mole, não!”, entre outras, têm características bem brasileiras e um sentido único para nós. Você consegue imaginar como essas frases poderiam ser traduzidas para o inglês? Se você cogitou a possibilidade de traduzir tudo isso ao pé da letra, podemos afirmar que não foi uma boa ideia! Sorry! 

Praticamente em quase todos os casos, a tradução literal não vai ser uma boa opção, pois perderá o sentido original e ainda poderá confundir o leitor.

Para entrar na brincadeira, algumas páginas de humor no Instagram fizeram suas versões dessas expressões ou ditados populares mais engraçados. E a risada é garantida. Confira alguns posts da página @greengodictionary:


Mas quando se trata de uma boa tradução, não é bem assim, não é mesmo?

Vamos listar aqui 10 expressões muito utilizadas na nossa língua e suas traduções correspondentes no inglês:

Casa de ferreiro, espeto de pauThe shoemaker’s son always goes barefoot
Custar os olhos da caraTo cost an arm and a leg
A pressa é inimiga da perfeiçãoHaste makes waste
Se não pode com eles, junte-se a elesIf you can’t beat them, join them
Melhor um pássaro na mão que dois voandoA bird in the hand is worth two in the bush
Em boca fechada não entra moscaA close mouth catches no flies
Antes tarde do que nuncaBetter late than never
Seguro morreu de velhoBetter safe than sorry
Em time que está ganhando, não se mexeIf it ain’t broke, don’t fix it
O que os olhos não vêem, o coração não senteOut of sight, out of mind

Ao realizar uma tradução, é necessário levar em conta a equivalência de sentido na língua-alvo, mantendo a ideia da expressão original. Por isso, para traduzir não basta apenas ter conhecimento do idioma, é importante conhecer algumas características culturais, bem como sociais do idioma que está sendo traduzido para que, dessa forma, a ideia original seja transposta da melhor maneira possível.

Escrito por Renata Pinheiro (tradutora e revisora na Spell Traduções)

Os erros de tradução mais engraçados da internet

TRANSLATION FAILS

O inglês é um idioma universal e, consequentemente, é a forma que conseguimos nos comunicar com outras pessoas que não falam nossa própria língua. Por isso, ao viajar para outros países ao redor do mundo cuja língua materna não é o inglês, você poderá notar que a grande maioria dos cardápios em restaurantes, as placas das cidades, os avisos em lugares públicos etc. contam com uma legenda ou explicação em inglês justamente para que os turistas consigam entender melhor as informações.

No entanto, mesmo sendo um idioma tão popular, é muito comum ver erros de tradução nessas legendas, o que é geralmente provocado por traduções automáticas e, é claro, pela falta de um tradutor ou revisor profissional. E como a internet é um lugar que não perdoa, é possível encontrar várias “translation fails” ou erros de tradução, registradas para nos divertir, que incluem desde cardápios com pratos que não fazem nenhum sentido, textos traduzidos ao pé da letra e erros causados pelo corretor ortográfico.

Confira abaixo os erros de tradução mais engraçados da internet!

  1. A mina de queijo

Imagina encontrar uma mina que, em vez de ouro, contém queijos? Essa deve ter sido a vontade da pessoa encarregada pela descrição das comidas desse hotel!

Essa tradução literal de “queijo Minas” fez com que o significado fosse completamente alterado, pois o responsável por ela levou a palavra “Minas” ao pé da letra e, ao invés de pensar em Minas como o estado de Minas Gerais, ele traduziu como “mine”, que significa “mina” (como uma mina de ouro). No caso, a tradução correta deveria ser simplesmente “Minas cheese”, já que o queijo vem de lá, e o nome do estado não pode ser traduzido. Portanto, os hóspedes internacionais do hotel devem ter pensado que serviriam uma quantidade enorme de queijos no café da manhã!

  1. Vai um suco da manga da roupa?

Os erros de traduções literais são muito comuns, e a maioria acaba sendo muito engraçado ou, então, muito constrangedor. Nesse caso, o “tradutor” provavelmente ficou com um pouquinho de preguiça de pesquisar outras traduções para “manga” e escolheu a primeira que apareceu na frente: sleeve, que, sim, significa manga… mas a manga da roupa. A tradução correta deveria ter sido “mango juice”, mas vai que o chef quis inovar com um delicioso sleeve juice?

  1. O que você tem contra a carne brasileira?

Outro caso de tradução literal bem errada, mas muito engraçada! É comum ter mais dificuldade para traduzir os cortes das carnes, já que as opções são muitas e seus nomes em inglês são bem diferentes dos nossos. Mas, nesse caso, a tradução foi feita tão ao pé da letra que o “contra” em contrafilé foi traduzido apenas como “against”, que é usado para expressar quando uma pessoa é contra algo/alguém (do verbo “contrariar”). Dessa forma, parece que o restaurante é contra a carne brasileira, pois essa seria literalmente a tradução do tal “Against the Brazilian Beef”, como vemos no cardápio. A tradução correta do nome da carne deveria ser “striploin”.

  1. Os peixes internacionais

Traduções literais são mesmo tão comuns, que o responsável por esse cardápio provavelmente achou que deveria inovar um pouco, indo em uma direção muito diferente e inusitada. A palavra “fígado”, por exemplo, em “iscas de fígado à lisboeta”, de repente passou a ter outro significado: “imprevisto” ou “não programado” (tradução de “unscheduled”). Já os outros pratos deram um ar sofisticado e internacional ao cardápio, já que cada um parece ter vindo de um país diferente: um é americano, o outro é espanhol e um veio de Lisboa. E eles servem até o idioma americano (não só o inglês, mas o inglês americano) no restaurante… que chique!

  1. Um pão gripado na chapa, por favor!

Diferentemente da tradução literal que acaba sendo muito engraçada, essa talvez possa ter sido um pouco constrangedora para os estrangeiros que visitaram essa padaria. Afinal, quem gostaria de pedir um lanche que parece estar resfriado, não é mesmo?

O que chamamos no Brasil de “frios”, que podem incluir queijo, presunto, peito de peru e outros tipos de carnes pré-cozidas, em inglês, chama-se “cold cuts” (ou, então, “cold meats”, “luncheon meats”, “deli meats” etc.). Ao se referir aos frios apenas como “cold”, entende-se que o pão tem uma cold – por exemplo, quando alguém está gripado, você pode dizer “he has a cold” ou “person with a cold”. Ou seja, parece que estão dizendo que servem pães com gripe!

  1. A porta é automática, Manuel!

Nesse caso, a frase acima, traduzida para o português, deveria ser: “Portas automáticas! Não tente abrir ou fechar as portas manualmente”. No entanto, é possível que o polêmico corretor ortográfico, já conhecido na internet por causar algumas gafes bastante engraçadas, tenha alterado a palavra “manually” (a tradução correta de “manualmente” em inglês) para “Manuel”. Dessa forma, o aviso no elevador parece estar sendo direcionado especificamente para alguém chamado Manuel!

  1. Coitada da praia…

Esse é um clássico exemplo de erro de tradução que pode ou gerar muitas risadas ou causar um certo constrangimento. Isso porque, foneticamente, as palavras bitch e beach são pronunciadas de forma bastante semelhante, o que pode confundir um pouco quem não tem um domínio da língua inglesa. A diferença é que o significado de beach é totalmente inofensivo (“praia”), e já o significado de bitch pode ser considerado um pouco pejorativo e ofensivo, principalmente quando se refere a uma mulher. Portanto, o aviso deveria ser: “Everyone loves a clean beach! Please do not litter”.

  1. O Peru europeu

Esse erro de tradução, apesar de um pouco grave (principalmente ao levar em consideração que foi publicado por um dos principais jornais brasileiros), acabou viralizando na internet entre os seus leitores e internautas por se tratar de uma gafe de tradução literal bastante engraçada.

Em 2015, ao abordar a crise dos imigrantes que tentavam chegar à Europa, o jornal Estado de S. Paulo, mais conhecido como Estadão, acidentalmente trocou o Peru pela Turquia no mapa. Isso se deve ao fato de que Turquia, em inglês, é “Turkey” – e, traduzido para o português de maneira literal, significa “peru” (não o país, mas o animal). O jornal, é claro, se explicou e retificou o erro cometido, mas não antes de ser “alvo” de muitas brincadeiras e chacota pelos internautas.

Estes são apenas alguns exemplos que reforçam a importância de um trabalho de tradução e revisão profissionais que possam garantir o sentido correto e uma boa qualidade para o leitor ou público final.

E você? Já viu alguma tradução engraçada ou constrangedora como nos exemplos deste artigo?

Artigo escrito por Juliana Gomes (Tradutora e Revisora na Spell Traduções)

Traduções de músicas e filmes infantis

Seja em livros, filmes ou seriados, é comum encontrar traduções de títulos, músicas ou até mesmo das falas dos personagens que parecem muito diferentes do conteúdo original. Para o ouvinte, leitor e/ou espectador que não conhece o processo de tradução, principalmente a tradução que envolve conteúdo criativo, como é o caso da indústria do entretenimento, muitas coisas podem soar bastante estranhas quando traduzidas. No entanto, poucos sabem que, para fazer esse tipo de tradução, o profissional da área deve adaptar o conteúdo levando em consideração diversos aspectos.

Por exemplo, ao traduzir uma música em um filme, não basta apenas fazer a tradução exata da letra ou só incluir rimas. O tradutor precisa, acima de tudo, manter o tempo correto e a mesma melodia da canção original, ao mesmo tempo em que mantém cada frase que o dublador canta compatível com o movimento da boca do personagem.

Ou seja, nesses casos, uma tradução “ao pé da letra” não só faria com que a letra da música perdesse a criatividade (e, muitas vezes, o humor) da canção original, como também deixaria de fazer sentido para o espectador que não entende o idioma original da música, uma vez que a tradução não estaria adaptada especificamente para a cultura desse espectador.

Por isso, com o objetivo de comemorar o Dia das Crianças, que está por vir, com diversão e muita informação, resolvemos separar alguns exemplos interessantes sobre como funciona o processo de tradução dessa área do entretenimento que todos nós amamos.

Hakuna Matata (O Rei Leão)

Quem não conhece essa música divertida, cantada por Timão e Pumba, dois dos personagens mais engraçados de um dos filmes mais consagrados da Disney, O Rei Leão?

Esse clássico é um ótimo exemplo a ser usado aqui. Poucas pessoas sabem, mas a versão de “Hakuna Matata” foi atualizada há pouco tempo, com uma pequena e simples alteração. Antigamente, a letra dizia:

“Hakuna Matata

É o nosso lema

Lema? O que é isso?

Nada, não confunda com lesma!”

Na versão atual, esse trecho foi alterado da seguinte forma:

“Hakuna Matata

É o nosso bordão

O que é isso? Botão?

Bordão! Não confunda com botão!”

Para muitos, essa alteração pode parecer desnecessária, mas, na verdade, foi uma forma de adaptar o linguajar para os dias atuais, já que “bordão” não é mais uma palavra tão utilizada e é possível que crianças não saibam o seu significado.

Além disso, usando essa mesma canção como referência, podemos ver o quão importante é a adaptação do conteúdo para o nosso idioma. Por exemplo, esse é o início da letra de Hakuna Matata:

“Hakuna Matata

What a wonderful phrase

Hakuna Matata

Ain’t no passing craze

It means no worries for the rest of your days

It’s our problem-free philosophy

Hakuna Matata”

Se traduzirmos de uma forma mais literal para seguir o conteúdo original, a canção ficaria dessa forma:

“Hakuna Matata

Que frase maravilhosa

Hakuna Matata

Não é uma moda passageira

Significa não ter preocupações pelo resto de seus dias

É a nossa filosofia de não ter problemas

Hakuna Matata”

Pode-se notar que, além de perder o sentido, a fluência e as rimas da letra, a melodia não fica compatível com o tempo em que os personagens estão fazendo o movimento com a boca para cantar. Além disso, as frases ficam longas demais, atrasando o tempo da sequência do filme e dificultando a leitura das legendas.

Let It Go (Frozen)

A música principal do filme que se tornou um clássico imediato da Disney, “Let It Go” (ou “Livre Estou”), também exibe de uma forma muito clara como o processo de adaptação na tradução é importante.

Na letra original, Elsa canta:

“Let it go, let it go

Can’t hold it back anymore

Let it go, let it go

Turn away and slam the door”

Em uma tradução “ao pé da letra” em português, a princesa cantaria da seguinte forma:

“Deixe para lá, deixe para lá

Não aguento mais

Deixe para lá, deixe para lá

Afasto-me e fecho a porta”

A canção ficaria estranha dessa forma, não é mesmo? Por isso, há uma adaptação para que faça mais sentido dentro do contexto do filme e para que cada verso fique de acordo com a melodia e o tempo corretos da música original. Com isso, a canção foi traduzida para o português da seguinte maneira:

“Livre estou, livre estou

Não posso mais segurar

Livre estou, livre estou

Eu saí pra não voltar”

Títulos de filmes e livros

Outro ótimo exemplo de adaptação, e um que parece gerar ainda mais polêmica, é o processo de tradução de títulos, sejam eles de livros ou de filmes. Há tanto os casos em que o nome do filme/livro, em português, é totalmente diferente do nome em inglês, quanto casos em que é adicionado um “subtítulo”.

Por exemplo, o título original do filme “O Pequeno Stuart Little” é somente “Stuart Little”. Então, por que haveria necessidade de mudanças ou adições ao nome? O mesmo ocorre com diversos outros filmes, como “Moana – Um Mar de Aventuras”, “Up – Altas Aventuras” e, como no nosso exemplo acima, “Frozen – Uma Aventura Congelante”.

Essas são “alterações” que também podem parecer desnecessárias para quem não sabe como esse processo funciona. No entanto, os títulos são geralmente modificados para que haja maior identificação entre a obra, seja ela um livro ou filme, e o público que vai consumir o conteúdo. Com um título somente em inglês, destinado a um público brasileiro que, em grande parte, não fala o idioma, não há essa identificação e conexão entre a obra e o consumidor. Por isso, existem esses “subtítulos” quando o nome do filme e/ou livro permanece em inglês na versão traduzida.

Já quanto aos títulos que parecem ter sido modificados completamente, a mesma “regra” se aplica: deve haver essa mesma identificação e conexão com o público, e como cada país possui suas próprias gírias, culturas, expressões idiomáticas etc., os títulos são adaptados de acordo com esse dinamismo da linguagem e com base no que atrairá os consumidores.

No entanto, vale ressaltar que não são necessariamente os tradutores que fazem as adaptações dos títulos de filmes e livros e, sim, o time de marketing da editora, emissora etc., que, muitas vezes, recria os nomes para obter mais apelo comercial.

Confira abaixo alguns dos filmes e livros infantis com títulos completamente diferentes e faça uma comparação divertida entre os nomes originais, os nomes traduzidos e como eles seriam se tivessem sido traduzidos “ao pé da letra”!

Título original: Harry Potter and the Half-Blood Prince

Título no Brasil: Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Como seria na tradução literal: Harry Potter e o Príncipe Mestiço

Título original: Despicable Me

Título no Brasil: Meu Malvado Favorito

Como seria na tradução literal: Eu desprezível

Título original: Inside Out

Título no Brasil: Divertida Mente

Como seria na tradução literal: Do Avesso (ou De Dentro para Fora)

Título original: Home Alone

Título no Brasil: Esqueceram de Mim

Como seria na tradução literal: Sozinho em Casa

Título original: Cloudy with a Chance of Meatballs

Título no Brasil: Tá Chovendo Hambúrguer

Como seria na tradução literal: Nublado com Chance de Chover Almôndegas

Escrito por: Juliana Gomes (Tradutora e Revisora na Spell Traduções)

Como o mundo comemora os feriados

Não é nenhuma surpresa ou novidade falar que os brasileiros adoram feriados – não é à toa que temos tantos deles aqui no Brasil! Mas você já se perguntou se outros países do mundo também comemoram tantos feriados como nós ou quais tipos de feriados existem lá fora além daqueles que já conhecemos por aqui?

Confira algumas curiosidades sobre as principais datas comemorativas ao redor do mundo!

St. Patrick’s Day

Apesar de ser uma festa da cultura irlandesa, há alguns anos, o Brasil e diversos outros países ao redor do mundo aderiram à comemoração do St. Patrick’s Day, ou dia de São Patrício, conhecido como o padroeiro da Irlanda. Mesmo sendo uma data para celebrar a sua morte, o feriado, que ocorre no dia 17 de março, trata-se de uma grande festa, principalmente em países, como Estados Unidos, Canadá, Inglaterra e, é claro, Irlanda (tanto a República da Irlanda quanto a Irlanda do Norte), com desfiles nas ruas, pessoas vestidas com roupas de cor verde ou com fantasias de “duendes” (figuras folclóricas irlandesas, chamados de leprechauns) e muita alegria e bagunça.

O motivo de toda essa comemoração de uma festa irlandesa em países fora da Irlanda se deve à forte influência causada pela imigração do povo irlandês no século XIX. Atualmente, inclusive, destinos como os Estados Unidos, Canadá e Austrália contam com uma população irlandesa seis vezes maior do que a da própria Irlanda.

Já no Brasil, apesar de não haver desfiles e de não ser um feriado, é uma data que se tornou muito popular e é comemorada nos bares e pubs, com música, decoração e cervejas “verdes”, que chegam nessa coloração com a adição de corante ou menta à bebida.

Páscoa

Em meados de março ou abril, a Páscoa é comemorada pela grande maioria dos países ao redor do mundo. Mas, apesar de ser um feriado muito popular e celebrado mundialmente, cada país tem suas próprias tradições e, algumas delas, inclusive, são bastante interessantes e diferentes das nossas.

No Brasil, é muito comum reunir os familiares para um almoço com pratos à base de peixes, principalmente o bacalhau, devido à tradição de não comer carne na Sexta-Feira Santa. Mas a principal atração da Páscoa, com certeza, são os ovos de chocolate, que, ultimamente, são cada vez mais recheados, diferenciados e deliciosos.

Já em outros países, as atrações podem ser bem diferentes. Por exemplo, na Alemanha, a data é comemorada de forma semelhante ao Natal: é feita uma decoração “pascal”, com feirinhas (muito parecidas com as que são montadas no fim do ano) e até uma árvore, que, em alemão, é chamada de Osterbaum. Além disso, os alemães costumam acender fogueiras em frente às igrejas durante a realização das missas de Páscoa.

Outra tradição muito divertida é a que existe nos Estados Unidos, onde é organizada a “caça aos ovos” (ou Easter egg hunt). Nela, as crianças pintam os ovinhos e os adultos os escondem, como um tipo de “caça ao tesouro”. A brincadeira é tão popular no país que até mesmo a Casa Branca, famosa residência do presidente norte-americano, organiza o chamado “Easter Egg Roll”, que ocorre todos os anos para as crianças.

Na Austrália, o símbolo do feriado não é o coelhinho da Páscoa, como estamos acostumados a ver, mas, sim, o “Bilby”, um pequeno marsupial da mesma família dos cangurus que é ameaçado de extinção. Por isso, os chocolates dessa data, em vez de terem o formato de ovo, têm formato do animal australiano, e as lojas e marcas que produzem os doces revertem o dinheiro para um fundo para sua preservação.

Thanksgiving

Um dos feriados mais importantes nos Estados Unidos, o Thanksgiving, ou Dia de Ação de Graças (como ficou conhecido no Brasil), é celebrado sempre na última quinta-feira de novembro para homenagear o dia em que os peregrinos realizaram sua primeira colheita com a ajuda dos nativos, em 1621, e para agradecê-los fizeram um grande banquete. Desde então, os norte-americanos repetem esse mesmo banquete com o intuito de agradecer e demonstrar gratidão por tudo que aconteceu naquele ano – é por isso que o feriado se chama Thanksgiving, ou seja, giving thanks, que pode ser traduzido simplesmente como “agradecer”.

Esse feriado é cheio de tradições, começando pela comida que é preparada para o banquete, no qual o peru recheado (com um tipo de farofa que os norte-americanos chamam de stuffing) é o prato principal. Os desfiles (chamados de parades) realizados nas grandes cidades também são muito tradicionais e populares, sendo o mais famoso de todos o desfile de Nova York, com seus carros alegóricos e balões infláveis enormes e temáticos desfilando pelas ruas. E, por fim, outra grande tradição do Thanksgiving é a partida de futebol americano, que reúne todos em volta da televisão antes do jantar.

Apesar de ser um feriado norte-americano, o dia seguinte ao Thanksgiving é muito comemorado não só por eles, mas também pelos brasileiros e pelo resto do mundo, trata-se da Black Friday, o dia mundialmente famoso das promoções. Essa data marca o fim do mês de novembro e o início da temporada de compras natalinas, quando as lojas concedem descontos significativos de seus produtos e criam um verdadeiro tumulto de consumidores que querem garantir os presentes de Natal.

Natal

E, por falar em Natal, está chegando uma das datas comemorativas mais esperadas do ano! Uma época de muita alegria e união, celebrada por grande parte do mundo, em que o Papai Noel é a figura mais tradicional e querida por todos.

No Brasil, temos o costume de preparar uma grande ceia na véspera de Natal para reunir nossos familiares e amigos, com diversos tipos de comidas, bebidas, presentes e muito panetone! Já no dia 25, o almoço é feito com as sobras da ceia da noite anterior.

Já nos Estados Unidos, por exemplo, a tradição é de esperar até a manhã do dia 25 para abrir os presentes – é daí que vem a expressão “Christmas morning”. Além disso, as crianças geralmente penduram meias de Natal na lareira (chamadas de stocking), pois, segundo a “lenda” no país, o Papai Noel deixa presentes para as crianças que se comportaram bem durante o ano, mas, para quem não se comportou, ele deixa carvão. Isso, é claro, é apenas uma brincadeira feita pelos pais para que as crianças se comportem. Outras tradições norte-americanas no Natal incluem os Carolers, grupos de pessoas que passam pelas casas de seu bairro para cantar músicas natalinas em suas portas; o mistletoe (ou visco, em português), cuja tradição é de que o casal que estiver debaixo da plantinha deve se beijar; e o eggnog, uma bebida geralmente alcoólica, típica de Natal, à base de ovos.

Outro país com tradições semelhantes aos dos Estados Unidos é a Inglaterra, que também possui características como o mistletoe e a espera até a manhã de Natal para abrir os presentes. Porém, há duas grandes diferenças entre o Natal inglês e o norte-americano: a comida, que é totalmente diferente (com pratos típicos como o Christmas pudding, um bolo de frutas com temperos, e as mince pies, tortinhas doces com uma mistura de frutas secas e especiarias) e o Boxing Day, uma data comercial tão significativa quanto a Black Friday, como uma “continuação” do feriado para os ingleses.

Enquanto esses países e muitos outros comemoram o Natal nos dias 24 e 25 de dezembro (e, às vezes, no dia 26, no caso do Boxing Day na Inglaterra), a comemoração natalina do México dura quase um mês inteiro. Devido à forte influência católica herdada dos espanhóis pelos mexicanos, o país possui importantes tradições religiosas, que começam a ser comemoradas desde o dia 16 de dezembro com as posadas (encenações da história de Maria em busca de um lugar em Belém para dar à luz ao menino Jesus), que contam com muita festa, música e bebidas e comidas típicas. Além disso, durante o Natal, nos dias 24 e 25, os mexicanos recriam passagens da Bíblia sobre o caminho dos pastores para honrar a chegada do menino Jesus, com peças de teatro conhecidas como pastorelas.

Ano Novo

Finalmente, chegou o fim do ano. Uma data muito celebrada por milhões de pessoas, mas que possui um significado diferente em cada cantinho do mundo.

No Brasil, o Ano Novo é sinônimo de recomeço, mas é, principalmente, um motivo de festa. Uma grande parte da população viaja para as praias para aproveitar o calor da época e, é claro, para pular as sete ondinhas no mar e fazer sete pedidos. No início da noite, é feita uma ceia, parecida com à de Natal, na qual todos se vestem de branco, que simboliza a cor da paz, e aguardam a tão antecipada hora dos fogos de artifício.

Apesar de os fogos de artifício serem uma tradição extremamente popular ao redor do mundo, se vestir de roupas brancas não é tão comum quanto no Brasil. Em outros países, existem outros tipos de superstições durante essa data.

Na França, por exemplo, que é o local de origem do nome “Réveillon” que tanto usamos aqui no Brasil (vem do verbo réveiller, que significa “despertar” ou “acordar”), há também uma tradição de se beijar sob o visco (mistletoe em inglês, gui em francês), mas, ao contrário dos americanos, que o fazem no Natal, os franceses reservam esse momento para o Ano Novo.

No entanto, um país mais supersticioso (mais do que o Brasil, inclusive) é a Itália. Para se ter um novo ano mais feliz, os italianos têm tradições como a de comer lentilha e jogar fora suas roupas velhas. Em Roma, algumas pessoas até pulam da ponte no rio Tibre, pois acreditam que isso fará com que alcancem a felicidade.

Já na Espanha e em outros países que falam espanhol, como Chile, Argentina e Uruguai, há uma tradição de comer 12 uvas à meia-noite para conquistar doze meses de felicidade e prosperidade no novo ano. No entanto, é necessário comê-las nos últimos doze segundos do ano, juntamente com os 12 sinos que soam da igreja, comendo uma uva a cada toque do sino.

BACK TRANSLATION: Você sabe o que é?

Você conhece algo sobre Back Translation? Entenda, neste artigo, o conceito desta técnica.

Garantindo a coerência das traduções, esse tipo de serviço foi criado para agregar na qualidade final do trabalho de tradução. O processo engloba, basicamente, uma validação circular por tradutores diferentes. Por exemplo, uma tradução do português para o inglês que, em seguida, será novamente traduzida do inglês para o português, só que por outro profissional que não teve contato nenhum com o texto original.

Dessa forma, é possível comparar o texto original com o que foi traduzido e, identificar os pontos críticos em relação às diferenças. Ou seja: terminologia usada, ambiguidades, trechos confusos, traduções incorretas etc. É muito importante falarmos que devido à natureza da língua, ambas as traduções nunca serão exatamente iguais.

Esse é um recurso pouco falado e pouco utilizado, uma vez que, é muito comum o prazo e o custo total do processo fugirem às necessidades operacionais do cliente. Podemos mencionar aqui algumas alternativas que também são usadas e demonstram eficiência para o controle de qualidade, como usar um especialista da área para validar os termos e o texto final, conhecido também como SME. Além disso, também é possível fazer uma etapa de Testes para garantir que o material esteja adequado ao meio em que será veiculado.

Você já conhecia esse tipo de serviço? Acha que ele pode ser eficiente? 

Carros iguais com nomes diferentes em outros países

Você já ouviu falar no carro Rabbit ou no Transporter, da Volkswagen? E no Montero, da Mitsubishi? Com certeza você conhece esses veículos, porém como Golf, Kombi e Pajero, respectivamente. Alguns automóveis, mesmo sendo da mesma marca, levam nomes diferentes, dependendo do país em que estão. Vamos apresentar aqui alguns dos exemplos mais clássicos e os motivos dessas mudanças.
Começando pelo Pajero, o carro fabricado pela Mitsubishi não possui o mesmo nome principalmente em países em que o idioma natural é o espanhol, e o motivo disso é bem simples: o termo Pajero em português não quer dizer nada, mas no espanhol ele tem um significado nada apropriado para as pessoas dizerem, principalmente perto de crianças. Por isso, mudaram o nome do automóvel para Montero. Porém, não é somente em países de língua espanhola que o nome muda: no Reino Unido, por exemplo, o mesmo carro é chamado de Shogun (o que alguns brasileiros poderiam confundir com o lutador de UFC, Maurício Shogun).


Essa mudança de nomes também ocorre com um automóvel muito antigo, mas fabricado até hoje, que conhecemos por Kombi, cujo nome original é Kombinationskraftwagen, em alemão. Na Inglaterra, ele é chamado de Camper e nos Estados Unidos, de Bus. Além de seu nome original, também ganhou apelidos como Perua no Brasil, Bulli na Alemanha, Pão de forma em Portugal, Combi Asesina no Peru, entre muitos outros.
O carro conhecido como SpaceFox no Brasil possui nomes variados, como Suran na Argentina, no Uruguai e no Chile, SportVan no México e Fox Plus na Argélia. Inicialmente, o nome do carro Fox (da mesma “família” do SpaceFox) seria “Tupi”, porém o som é muito parecido com “to pee” em inglês, que significa “fazer xixi”, então optaram por batizá-lo como Fox.
Um outro bom exemplo dessa mudança de nomes é o Golf, da Volkswagen, conhecido como VW Rabbit (em português, coelho). Nas primeiras gerações do carro, ele era chamado de VW Caribe no México.
Se você visitar outro país e ouvir alguém citando um dos automóveis acima, já sabe de qual se trata!

 

Texto escrito por Aline Bellozo

Referências:

https://www.flatout.com.br/nomes-iguais-carros-diferentes-os-xaras-do-mundo-automotivo-parte-1/
http://caranddriverbrasil.uol.com.br/carros/especial/os-nomes-de-nossos-carros-pelo-mundo/292#
https://www.flatout.com.br/universo-paralelo-os-carros-rebatizados-mais-bizarros-que-voce-ja-viu/